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1 de dezembro de 2009

Literatura - Os Dragões Não Conhecem o Paraíso


Caio Fernando Abreu


(...) Eu apertei as duas mãos contra a folha de papel, como se quisesse me segurar nela. Como se não houvesse nada embaixo dos meus pés.

Você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer - ou não pode - voltar. Você fica igualzinho a um daqueles caras de circo que andam no arame e de repente o arame plac! ó, arrebenta, daí você fica lá, suspenso no ar, o vazio embaixo dos pés. Sem nenhum lugar no mundo, dá para entender? (...)

Um praiazinha da areia bem clara, ali, na beira da sanga. Do livro, Os Dragões Não Conhecem O Paraíso - Caio Fernando Abreu.

...

Em meu aniversário ganhei - de alguém especial -, um livro que estava querendo há muito tempo. Vasculhei boa parte dos sebos de Jundiaí e, a internet - talvez não soube procurar -, mas o fato é que realmente não encontrei o livro. Os Dragões Não Conhecem O Paraíso, de Caio Fernando Abreu, lançado pela Cia. das Letras em 1988, e vencedor do Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, na categoria melhor livro de contos.

Os contos falam de amor, sexo, solidão, morte, de forma crua e explícita. Caio não tinha medo desses temas, fica óbvio quando se lê qualquer conto dele - ou romance. A forma como ele escrevia consegue aproximar o leitor diretamente com todas as situações descritas nos contos.

Uma mulher que procura vingança, um jovem triste, um casal se conhecendo no verão, um pai contando ao filho histórias de dragões... Enfim, ler estes contos dá a sensação ao leitor - ao menos em mim -, de estar conversando com um amigo, ou mesmo um desconhecido, e estar descobrindo sua intimidade, aquilo que ninguém poderia saber, ninguém poderia pensar.
Proporciona leveza, espanto, prazer, mexe com o subconsciente, choca, e essas sensações - e sentimentos -, são mantidos do início ao fim do livro.

Leia alguns contos de Caio F. Abreu _ Sem amor. Só a loucura.

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